Informar alergênicos no cardápio parece simples. Mas será que é?

15 de setembro de 2026

Por Rodrigo Velludo de Figueiredo

Nova legislação amplia a transparência sobre alergênicos em restaurantes e reforça a importância de processos seguros em toda a operação.

A nova lei da Califórnia, que exigirá que grandes redes de restaurantes informem os nove principais alergênicos em seus cardápios, representa um importante avanço para milhões de pessoas que convivem com alergias alimentares.

Mais transparência significa mais autonomia para o consumidor e mais segurança no momento da escolha.

Mas existe um ponto que merece atenção:

A informação só protege quando ela é confiável.

Informação no cardápio exige gestão

Informar alergênicos no cardápio não é apenas adicionar um símbolo ou uma legenda aos pratos. É o resultado de uma gestão estruturada que envolve toda a operação.

É preciso garantir o controle de ingredientes, a atualização constante de receitas, a gestão de fornecedores, a comunicação entre as equipes, a padronização dos processos e a capacitação contínua dos colaboradores.

O desafio do contato cruzado

Além disso, permanece um dos maiores desafios do setor: o contato cruzado.

Mesmo quando um alergênico não faz parte da receita, ele pode estar presente de forma não intencional durante o armazenamento, preparo ou serviço dos alimentos. Por isso, segurança alimentar depende de processos bem definidos e de uma cultura organizacional comprometida com a gestão de riscos.

Transparência e boas práticas precisam caminhar juntas

A legislação da Califórnia sinaliza um caminho importante. No entanto, ela também reforça uma mensagem que a Associação REABRA acredita ser fundamental: transparência e boas práticas precisam caminhar juntas.

Na Associação REABRA – Restrições Alimentares Brasil, acreditamos que promover inclusão alimentar exige uma atuação integrada entre poder público, indústria, varejo, food service, profissionais de saúde e consumidores.

Nosso compromisso é contribuir para a construção de soluções que sejam tecnicamente consistentes, aplicáveis na prática e capazes de aumentar a segurança das pessoas com restrições alimentares.

Mais do que cumprir uma obrigação legal, precisamos construir sistemas confiáveis para que a informação seja correta, atualizada e compreendida por todos os envolvidos.

Porque segurança alimentar é o primeiro passo para a inclusão alimentar.

Fontes:

Asthma and Allergy Foundation of America (AAFA) e Kids With Food Allergies (KFA/AAFA).

California Senate (2025), SB 68 – Allergen Disclosures for Dining Experiences (ADDE Act).

Oriel et al. (2021), Characteristics of Food Allergic Reactions in United States Restaurants.

Radke et al. (2017), Food Allergy Knowledge and Attitudes of Restaurant Managers and Staff: An EHS-Net Study.

Greenhawt et al. (2020), Food Allergy in Restaurants Work Group Report.

FAO/WHO – Codex Alimentarius (2020), Code of Practice on Food Allergen Management for Food Business Operators – CXC 80-2020.