Articulação intersetorial como fator determinante no enfrentamento e prognóstico de doenças


Por Rodrigo Velludo de Figueiredo

Doenças tais como diferentes tipos de câncer impõe, direta ou indiretamente, restrições alimentares significativas às pessoas, seja pela própria doença, seja pelos efeitos colaterais do tratamento, como quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo.

Náuseas, alterações no paladar, intolerâncias digestivas, disfagia e imunossupressão tornam a alimentação um fator crítico para a adesão terapêutica, a prevenção de complicações e a qualidade de vida do paciente.

A restrição ou inadequação alimentar pode agravar quadros de desnutrição, sarcopenia e vulnerabilidade clínica, impactando negativamente o prognóstico.

Na perspectiva de prevenção, o acesso a alimentos seguros, rotulados de forma clara e nutricionalmente adequados é determinante para a redução de fatores de risco associados à tipos distintos de câncer.

Pessoas com restrições alimentares pré-existentes enfrentam barreiras adicionais para manter uma dieta equilibrada durante o tratamento oncológico, ampliando desigualdades em saúde.

Nesse contexto, o posicionamento institucional como autoridade técnica na interface entre saúde pública, segurança alimentar e políticas regulatórias, é essencial.

A atuação em advocacy permite contribuir para a formulação de políticas públicas que garantam acesso a alimentos adequados em ambientes hospitalares, programas de assistência alimentar e compras públicas.

É possível defender normas, criar protocolos de alimentação inclusiva e gerar incentivos para o desenvolvimento estratégico e inovador de produtos para pessoas em tratamento.

Fomentar a articulação intersetorial é abrir caminho para o acolhimento e o enfrentamento digno de inúmeras doenças.

Fonte: 

Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Alimentação e câncer: evidências de prevenção e importância da alimentação adequada em saúde pública.